Olá, esse é meu primeiro post e acho justo me apresentar. Meu nome é Franco Brunetta Pan, programador. Sou um cidadão como você, que apenas se inspirou em uma noite de auto isolamento durante a pandemia do Coronavirus.

Durante o último mês, tenho debatido nas redes sociais e com meus parentes sobre os acontecimentos recentes (da descoberta do Sars-Cov-2 à velocidade com a qual o mundo mudou e sobre as atitudes a serem tomadas por nós e pelos nossos líderes).

Eu cresci em uma família de origem italiana, portanto católica. Desde cedo, mesmo contra a minha vontade, dogmas foram lançados sobre mim. Por falta de conhecimento sobre o mundo e sobre a ciência, por algum tempo acreditei nessas informações. No entanto, ainda criança eu comecei a achar difícil de acreditar em um ser superior sem o ver, sem evidências. As respostas nunca foram suficientes. Claro, meus pais e minhas catequistas nunca foram bem fundamentados em teologia. Existe uma vertente no catolicismo que busca tornar os dogmas em algo crível, palatável para os que tem algum tipo de ceticismo. São belos argumentistas, mas no frigir dos ovos, dogmas continuam sendo dogmas (crenças continuam sendo apenas crenças).

E nessa madrugada do dia vinte e seis de abril de 2020, lembrei-me de um livro excepcional chamado “O mundo assombrado pelos demônios”, de Carl Sagan. Nele, temos um capítulo chamado “A anticiência”, na qual Sagan discorre sobre as diferenças das pseudociências (ou anticiência) e a ciência como conhecemos.

A anticiência descrita por Sagan, descrevendo de forma rasteira, é quando são apresentados argumentos bem estruturados, que são de certa maneira críveis aos olhos de um público leigo, mas que não possuem sustentação. A verdade da anticiência pode ser mantida apenas pela impossibilidade de validação ou pela negação da invalidade demonstrada (sem qualquer tipo de contraprova).

No passado recente, houve um grande aumento da anticiência no Brasil e no mundo. Ideias tidas como ultrapassadas e já superadas (como a Terra Plana), voltaram dos mortos e como zumbis, começaram a se multiplicar em uma velocidade assombrosa. Pseudofilósofos, que não completaram o ensino médio, ditam os rumos de uma nação, influenciando líderes políticos com palavras vazias e sem fundamentos teóricos. A que se deve isso?

Conforme Sagan argumenta, a ciência em alguns momentos requer conhecimento prévio de algumas informações. Ele exemplifica que para começar a aprender sobre mecânica quântica, se” deve aprender aritmética, geometria euclidiana, álgebra da escola secundária, cálculo diferencial e integral, equações diferenciais ordinárias e parciais, cálculo vetorial, certas funções especiais da física matemática, álgebra matricial e teoria dos conjuntos. Isso pode ocupar a maioria dos estudantes de física da terceira série primaria até o início do curso de pós-graduação- cerca de quinze anos.” Ou seja, as pessoas “comuns” precisam acreditar no que as autoridades cientificas divulgam.

Mas e se… as autoridades tiverem segundas intenções? E se as autoridades estiverem dispostas a mentir para ganhos pessoais? Ou para manter a sua verdade? Afinal, somos todos humanos.

E se… a OMS estiver mancomunada com a China? E se tudo não passa de um plano Chinês para dominar o mundo? Afinal, diversas teorias da conspiração já provaram verdadeiras (mesmo que em parte). Lembra da área 51?

E se os grandes e poderoso querem eliminar parte da população mundial? Por que escondem os efeitos positivos da Hidroxicloriquina?

Essa linha de raciocínio tem criado um grande preconceito contra a ciência em tempos modernos, mas não é algo novo. Como quase tudo, apenas cresceu desenfreadamente com a popularização da internet. Distinguir entre um pseudocientista e um cientista é muito mais complicado para aqueles que querem que a sua verdade seja a final. Mas não devemos esquecer que não importa o quanto lutemos, a ciência sempre estará lá para mostrar a verdade. A realidade é imbatível, não existem teorias capazes de sobreviver mensuração e ensaios.

Esses mesmos questionamentos sobre a índole ou integridade dos cientistas já foram realizados antes. Nesse mesmo capítulo, Sagan detalha um trio que questionou a teoria da evolução de Darwin, partindo do princípio de que ele era ateu. Ou seja, Darwin supostamenteteria redigido “A Origem das Espécies” apenas para confrontar o catolicismo e o cristianismo. Ele supostamente queria divulgar a anti-religião, portanto, por ter enviesado sua pesquisa a teoria não poderia ser válida.

O que eles não contavam é que Darwin era extremamente religioso, “estava para se tornar ministro da Igreja da Inglaterra quando surgiu a oportunidade de zarpar no H.M.S. Beagle…Pela sua investigação da natureza…mudou suas opiniões religiosas” e não o contrário.

Na década de 1920, um geneticista americano de nome Muller e um soviético chamado Lysenko travaram um embate sobre como seria tratada a agricultura da União Soviética. O americano tinha a base clássica, enquanto o soviético, com a crença na hereditariedade pretendia submeter o país a uma nova forma de trabalhar, uma que se adaptaria à dialética comunista e providenciaria colheita de trigo no inverno. “Com o apoio de Stalin, Lysenko reprimiu a genética básica… como consequência não houve nenhuma colheita de trigo no inverno…o lysenkosoísmo foi derrubado somente em 1964”. Com o auxílio do governo, uma pseudociência assumiu o poder, apenas porque ela era fiel às ideologias e não à verdade. Levou quase 30 anos para que ela fosse abandonada, quantos não devem ter sofrido com isso?

Muito se critica a demora da OMS em reconhecer a pandemia. Muito se diz de ela estar mancomunada com a China. E muito me surpreende isso ter acontecido com dezenas de cientistas americanos, que com certeza reportariam isso ao governo americano ainda em janeiro (ou até antes). Mas nada foi dito. Por que só agora? Por que Trump questiona a OMS só depois de centenas de milhares estarem infectados e dezenas de milhares estarem mortos?

Estamos em meio a uma pandemia, existem diversos médicos e cientistas enviando vídeos no WhatsApp e em redes de televisão, todos querendo levar a razão. Os que defendem isolamento total, parcial ou sequer algum isolamento. Somos todos ratos de laboratório. O que os países farão agora ficará não apenas marcados nos livros de história, mas serão julgados pela realidade. Cada ação tomada por cada país, cada líder, irá mudar o destino de populações. Ações não tomadas com base em dados científicos, com base na ciência tem muito mais chance de dar errado. Cientistas também erram, Sagan deixa isso claro. A diferença é que pseudociência não tem nada para embasar seus argumentos. Como pode o governo ter comprado 10 milhões em Hidroxicloriquina sem ter certeza de sua eficácia? Era uma aposta ou tentativa de engar o povo? Outros governos com mais pesquisa que o nosso, já não teriam feito isso antes? E que base científica está sendo usada para definir o afrouxamento do lockdown nas cidades brasileiras? Parece não haver esse questionamento por parte da população. Ela apenas quer o que quer. Mas será que os resultados sairão conforme seus desejos ou os cientistas estarão certos novamente? De que esse vírus se espalha de maneira brutal em uma velocidade gigantesca e que somente o afastamento pode prevenir.

Eu não sei você, mas entre um presidente que supostamente falsifica a assinatura de um ministro e um grupo de cientistas no mundo inteiro, eu já tenho minha escolha.